A influência do homem sobre o solo bauruense

Entenda por que a época de seca propicia a ocorrência de erosão



Em decorrência da falta de chuvas e baixa umidade do ar se multiplicam os focos de incêndios em Bauru (Foto: Isabella Pilegis Rocha)


Conhecida pela intensa atividade na área do agronegócio, a cidade de Bauru apresenta solos de “terra roxa”, assim denominados por seu alto teor de ferro, que é um metal de coloração avermelhada e muito importante para a manutenção da fertilidade dos solos. No entanto, uma característica peculiar desse tipo de solo também o torna mais suscetível, sobretudo em relação a construções urbanas, a sofrer processos erosivos. A textura arenosa dos terrenos locais permite que a erosão laminar nestes seja intensa, especialmente na encosta de morros, conforme explica a estudante de Geografia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), Célia Fernandes.

Os solos arenosos são mais suscetíveis à erosão devido à maior possibilidade de infiltração de água, eles absorvem mais rápido, assim como dissipam mais rápido a água.

 Além do tipo de solo, outro fator condicionante da ocorrência de erosão no município de Bauru é a ocupação do mesmo e o uso não sustentável dos recursos naturais. A ação antrópica de degradação dos solos pode ocorrer por desmatamentos, queimadas, pela abertura de caminhos, estradas vicinais ou mesmo rodovias sem uma infraestrutura adequada de drenagem.


O desgaste dos solos bauruenses foi iniciado na década passada com a expansão da fronteira agrícola, principalmente pela cultura cafeeira, e posteriormente pela canavieira, de modo que o uso irrestrito desses solos provocou a perda da fertilidade natural de parte dos mesmos. Estas culturas extensivas, além de cansar a terra e de emitir toxinas dos defensivos agrícolas, dominam grande parte da paisagem das propriedades rurais na região.

Nas últimas décadas, no entanto, a utilização de queimadas como mecanismo de desflorestamento se consolidou como uma conduta comum e recorrente na cidade. Essa prática se configura como prejudicial não somente para a conservação dos solos, mas para a poluição do ar e do meio ambiente, como foi explicado por Sidnei Rodrigues, secretário do Meio Ambiente de Bauru, à radio 96fm.


 A qualidade do ar já está preocupante por conta da longa estiagem que estamos enfrentando e o problema ainda se agrava com as queimadas, aumentando problemas de saúde da população e o número de atendimentos nos postos de saúde.

Leia também: O belo pôr do sol de Bauru pode indicar poluição no ar

A retirada da cobertura vegetal, principalmente quando realizada por queimadas e sem planejamento prévio, torna o solo mais frágil, de modo a aumentar o risco de acidentes como deslizamentos de terra e desmoronamentos, a exemplo do ocorrido no início de fevereiro, no qual dois auxiliares de obra foram soterrados após o desmoronamento de um prédio na zona oeste da cidade. Devido à instabilidade do solo, o trabalho de busca dos trabalhadores precisou ser feito manualmente.

Nesse sentido, a responsabilidade pelo desgaste e fragilização dos solos em Bauru, bem como pela poluição do ar e pela menor disponibilidade de áreas com cobertura vegetal, recai tanto para o poder público quanto para a população, que deve tomar conhecimento das dimensões que o ato de provocar queimadas, geralmente em terrenos baldios, pode gerar a médio e logo prazos.

Editado por: Ingrid Watanabe


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *