ExoMars 2016: a nova missão marciana

Sonda falha ao pousar em Marte, mas restaura debate sobre vida extraterrestre e colonização


Ilustração gráfica mostrando o momento de separação do Satélite Rastreador de Gás da sonda Schiaparelli. A sonda recebe esse nome em homenagem ao astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli (Imagem: ESA)

O desejo de conhecer o que há além do planeta Terra sempre impulsionou a humanidade a criar tecnologias para desbravar o espaço e seus segredos.

Recentemente, um novo passo foi dado nos estudos extraterrestres. A Agência Espacial Europeia (ESA), em parceria com a Agência Espacial Federal da Rússia (Roscosmos), lançou, em março desse ano, a missão espacial não tripulada ExoMars 2016, que levou o Satélite Rastreador de Gás (Trace Gas Orbiter) e o módulo de descida ou sonda Schiaparell até Marte, a fim de investigar se existe ou já existiu alguma forma de vida no planeta.

Foram percorridos 500 milhões de quilômetros da Terra até a órbita do Planeta Vermelho, chegando no dia 19 de outubro para fazer o pouso em sua superfície, que, por um erro do computador não foi bem-sucedido.

Após a sonda separar-se do satélite, que ficou na órbita do planeta, os propulsores responsáveis pelo pouso, que deveriam funcionar por 30 segundos, ficaram ativos por apenas 3. Assim, todo equipamento caiu de 2 a 4 quilômetros em alta velocidade antes de bater em solo marciano.

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A missão

A Schiaparelli foi enviada a fim de captar dados atmosféricos, velocidade do vento, pressão, umidade e temperatura de Marte. Já o Satélite Rastreador de Gás passará os próximos anos ao redor do planeta, analisando gases, como o metano.

A obtenção dessas informações capturadas na missão ajuda na investigação da exobiologia ou astrobiologia (ciência que estuda possibilidade de vida extraterrestre e sua evolução), como diz o jornalista científico e editor do blog Mensageiro Sideral, Salvador Nogueira:

“Caso o orbitador da missão ExoMars consiga obter evidências de vida em Marte, isso sem dúvida terá o impacto imediato de acelerar e encorajar a busca por essas formas de vida, abrindo campo para toda uma nova área de pesquisa, a exobiologia. De resto, vai encorajar a discussão sobre maneiras seguras de enviar missões tripuladas a Marte sem evitar contaminação biológica — aqui e lá — e sobre a ética de proceder com a colonização do planeta vermelho, outro tema em franca discussão hoje que pode ser impactado pela descoberta de vida por lá”.

Vista da formação “Kimberley” em Marte, feita pelo rover Curiosity da NASA (Imagem: NASA)

Enquanto isso, na Terra…

Para tornar possível missões como essa, de exploração de outros planetas, aqui na Terra, além do trabalho dos cientistas, a relação política entre os países é importante para estabelecer parcerias.

“De forma geral, há boa coordenação entre os players internacionais na exploração científica de Marte, com colaboração intensa entre os países no planejamento e na execução das missões. Mas, claro, existe um benefício geopolítico de curto prazo, que é a projeção de força”, diz Salvador Nogueira.

Corrida Espacial

Historicamente, desde a Guerra Fria o desenvolvimento espacial marca disputa de poder entre nações. Hoje, enviar satélites, espaçonaves, astronautas e sondas para fora da Terra caracteriza capacidade econômica e tecnológica, como explica Salvador, com o exemplo da ExoMars:

“Ter sucesso em Marte é uma demonstração de capacidade tecnológica, com todas as implicações geopolíticas que isso significa. Especialmente marcante é o caso da Índia, que teve sucesso com sua primeira sonda orbital marciana, em 2014. A China tentará enviar uma sonda e um rover em 2020. Para esses países em particular, há um ganho geopolítico de prestígio que até mesmo se sobrepõe à ciência”.

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