O mundo está vivendo a sexta extinção em massa?

Agressões ao meio ambiente aceleram processo semelhante ao que matou os dinossauros


Imagem do documentário “Racing extinction”, do ganhador do Oscar Louie Psihoyos. (Foto: Discovery Networks/Divulgação)

Por Geovanna Sena Vale

Extinções na natureza são eventos comuns dentro do processo de evolução. Existem três diferentes tipos: as extinções filéticas, em que os organismos de uma população sofrem gradualmente mudanças significativas, tornando-os uma nova espécie; as extinções de fundo, nas quais uma espécie não consegue adaptar-se às mudanças ambientais ou à competição por recursos; e, por fim, as extinções em massa, nelas a biodiversidade é drasticamente reduzida por algum fenômeno em um curto período de tempo.

Foram cinco episódios na história do planeta em que mais da metade dos organismos vivos, na época, foram erradicados. Ficaram conhecidos como “Big Five”, as cinco grandes extinções, e aconteceram, respectivamente, nos períodos: Ordoviciano (488 a 443 milhões de anos), Devoniano (416 a 359 Ma), Permiano (299 a 251 Ma), Triássico (251 a 201,6 Ma) e Cretáceo (145,5 a 65,5 Ma) .

A extinção em massa causada pela queda do meteoro que resultou no desaparecimento dos dinossauros, marcando o fim do período Cretáceo, é a mais famosa, porém não a mais letal. Chamada de “A Grande Morte”, a passagem do período Permiano para o Triássico culminou no fim de 96% de todas as espécies existentes, devido às atividades vulcânicas.

A maior extinção em massa da história foi causada pela atividade vulcânica. (Foto: Asahi Shinbum/Getty Pictures)

De acordo com o professor Francisco Barbosa, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), existem sinais de que uma sexta extinção em massa se aproxima, pois o mundo está passando por grandes mudanças climáticas e ambientais. Para ele, o derretimento das calotas polares, a subida do nível dos oceanos, a perda da biodiversidade e as extinções de espécies são algumas das evidências desse processo.

Já o professor e pesquisador de Genética e Evolução, Fabrício Rodrigues, da UFMG, acredita que o ser humano influenciou o atual cenário.

Rodrigues afirma:

A diferença é que as [extinções] anteriores estavam relacionadas à grandes catástrofes naturais  vulcões, meteoros, terremotos , e cada uma ocorreu em um período de alguns milhões de anos. A de agora está acontecendo de forma muito acelerada em poucas centenas de anos e, principalmente neste último século, causada não por uma catástrofe, mas pelo Homo sapiens.

A passagem do homem pela Terra tem sido marcante ao ponto de os geólogos cogitarem ter chegado ao fim do período Holoceno, que se iniciou 11.500 anos atrás, dando início ao período Antropoceno. “Anthropos”, no grego antigo, significa ser humano, já “ceno” denota as eras geológicas, ou seja, “A Era do Ser Humano”. A necessidade de renomear o atual período parte do pressuposto de que, daqui a milhares de anos, a presença humana ainda será perceptível, do ponto de vista da geológico. 

Imagem do projeto “Photo Ark”, da National Geographic, que registra animais em perigo de extinção. Nela está retratado o tamanduá-bandeira. (Foto: Joel Sartore)

Segundo Fabrício Rodrigues, o Homo sapiens constrói o seu nicho  ambiente de sobrevivência  por meio da exclusão das outras espécies. Isso ocorre com as modificações do ambiente, adaptando-o para as atividades e necessidades humanas, em detrimento das demais espécies, que são retiradas de seu meio natural. As consequências disso são a deterioração dos habitats, da fauna e da flora, sendo perceptíveis na quantidade de plantas e de animais que entraram em extinção nas últimas décadas.

No Brasil, cerca de 1.173 espécies animais se encontram ameaçadas, como o boto-cor-de-rosa; o lobo-guará; o mico-leão-dourado; a onça-pintada e o pica-pau-amarelo. Engana-se quem acredita que o desequilíbrio ambiental não afeta a humanidade, a pandemia de Covid-19 pode ser uma consequência das ações antrópicas  desmatamento, poluição, extinção de espécies e aquecimento global.
Diante de um cenário tão incerto, existe uma pergunta crucial: a espécie humana está cavando a própria cova? Ela sobreviverá à sexta extinção? Na opinião do pesquisador Fabrício Rodrigues, a sobrevivência é possível sim.

Ele declara:

Nós é que somos os causadores, provavelmente vamos sobreviver com um alto custo. Será um mundo totalmente diferente, onde as matas, os ecossistemas, a sua regeneração, a ciclagem de água, nutrientes, ciclo do carbono, etc. não poderão sustentar a população humana, que deve ser reduzida devido à perda da qualidade de vida.

Edição: Anna Araia 

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