Beleza x Saúde: o lado perigoso de muitos cosméticos

Saiba quais componentes dos produtos de beleza é melhor evitar pelo seu bem e da natureza

Vários recipientes de cosméticos distribuídos em toda a foto. Desde hidratantes a desodorantes e óleos. À frente um pote redondo aberto, deixando aparecer o conteúdo de dentro.
(Foto: Thais Barion/Impacto Ambiental)

A preocupação com a aparência é parte da rotina de muita gente. Porém a preocupação com a própria saúde, com que componentes e como os cosméticos são produzidos costumam passar batido. E a lista de produtos que o consumidor deve tomar cuidado é extensa.

Na pele

A forma como os cosméticos irão agir na pele depende da composição de cada um. Podem ter vitaminas, ácidos, hidratantes, clareadores, entre outros e portanto, haverá vários tipos de funções. “Pela definição, os cosméticos não podem modificar a fisiologia normal da pele. Mas esta definição está defasada e por isso o termo cosmecêutico: cosmético + terapêutica, define melhor o tipo de cosmético atual, muito mais ativo”, explica Denise Steiner, doutora em Dermatologia pela UNICAMP.

Para a dermatologista, os cosméticos não podem e nem devem ser prejudiciais ao indivíduo, já que todos tem que ser aprovados pela ANVISA para serem comercializados. Mas independente da qualidade de cada um, podem produzir alguma alergia ou irritar a pele por sua propriedade ácida, como alguns derivados do retinol. Também alguns clareadores, como hidroquinona, quando usados em concentrações altas, podem ser oxidativos à pele, observou.

De olho no rótulo!

Confira abaixo uma tabela com alguns componentes que devem ser evitados:


Esses componentes são encontrados nos mais diferentes cosméticos, maquiagens e produtos de higiene, e são prejudiciais à saúde, ao meio ambiente e até à própria beleza.

Eles podem causar alergias, distúrbios endócrinos, distúrbios como depressão, anemia, problemas neurológicos e ósseos, agitação, agressão, perda de concentração, hiperatividade, Alzheimer, Parkinson e até mesmo câncer.

Ao centro um batom cilíndrico e comprido. De fundo uma estampa retrô com algumas escritas. A direita um espelho desenhado, em cima um sofá, lado esquerdo um manequim.
(Foto: Thais Barion/Impacto Ambiental)

Batom: perigo na boca

Conforme pesquisas da FDA (sigla do órgão do governo norte americano para “Administração de Comidas e Remédios”, em português), níveis altos de chumbo foram encontrados em batons das marcas como Maybelline, L’ Oréal, Mary Kay, Revlon, M.A.C, Dior, entre vários outras.

A pesquisa mostrou que a quantidade é maior em cores mais pigmentadas e fortes, como nas vermelhas ou vinho. Além do chumbo, o alumínio é usado para impedir que as cores escorram; o óxido de titânio na formação das cores; e flocos microscópicos de mica, que contém chumbo, manganésio, cromo e alumínio, para dar mais brilho ao gloss.

Isso não quer dizer que as pessoas não devam mais usar batons, mas conhecer os riscos e tomar certos cuidados. Sempre evitar retocar o batom mais de três vezes ao dia, retirá-lo quando for comer ou beber algo para não ingeri-los e deixar fora do alcance de crianças.

Algumas opções de marcas que utilizam componentes orgânicos e contam com a filosofia de não agredir a saúde são RMS Beauty, ILIA Beauty, Vapour Beauty e Alva, por exemplo.

Do lado esquerdo uma parte de um chapéu. Ao fundo uma toalha e por cima quatro protetores solares distribuídos.
(Foto: Thais Barion/Impacto Ambiental)

Filtros solares

Encontrado geralmente em protetores solares, o oxibenzona têm como função primária absorver a luz ultravioleta, mas pode causar disfunção hormonal, além de ser alergênico e foto alergênico (mais sensível a luz solar). Já os “PABA” ou ácidos aminobenzóicos, causam dermatite de contato, fotossensibilidade e radicais livres, aumentando as chances de adquirir cancro e câncer, bem como o retinol, também presente em produtos anti-idade, hidratantes, batons, bases, entre outros.
Também devem ser evitados protetores solares em spray ou pó, pois podem ser inalados..

Pastas de dente

Os cremes dentais também não estão fora dessa. Podem conter o Triclosan, Lauril sulfato de sódio e o flúor. Por isso as pastas não devem ser ingeridas, já que estes componentes são absorvidos pelos ossos e dentes.

Sabões e detergente

Na parte estética, as fragrâncias e corantes contidas nesses produtos podem acarretar alergias respiratórias, de contato, irritações e ressecamento da pele. Assim, prefira elementos naturais e procure métodos de limpeza físicos em vez de químicos, como varrer e aspirar a sujeira, além de usar produtos naturais como vinagre e bicarbonato de sódio.

No ambiente

Depois que todos esses resíduos dos produtos, quando não tratados, descem pelo ralo e vão para os rios e lagos, o estrago é na natureza. 
Em ecossistemas afetados por tais componentes, ocorre falta de oxigênio, e a espuma formada na superfície impede a entrada de luz e a realização de fotossíntese pelos seres vivos subaquáticos.

As aves aquáticas também sofrem com isso, pois suas penas são revestidas de óleo e boiam devido a uma camada de ar que fica presa embaixo delas. E sem esse revestimento as aves não conseguem boiar e afogam.

Canto esquerdo à cima uma flor falsa e abaixo no centro a metade de um pote redondo de algum cosmético.
(Foto: Thais Barion/Impacto Ambiental)
Quais marcas usar então?
Isto é questão de uma escolha pessoal após refletir sobre o riscos de componentes químicos e o que faz bem para sua pele e corpo realmente. O primeiro passo é verificar a composição dos produtos antes de usá-los.

Os cosméticos orgânicos certificados também são uma saída. São totalmente naturais e livres de derivados de petróleo e de tantos outros componentes maléficos, e se diferem dos convencionais por não causar alergias, coceiras, doenças graves, não degradar a natureza e ainda não realizar testes em animais.

Além da Alva, já citada anteriormente, vale citar as marcar certificadas Ikove, Cativa Natureza, Reserva Folio, Sachi, Sal da Terra, Weleda, Lush, a linha Care de Stella McCartney, Reserva Folio, Magia dos Aromas, linha Ekos e outros produtos da Natura, A linha Sapien Men e Amazônia Preciosa da Surya, a manteiga de karité e a linha Olive de L’Occitane.
É importante lembrar que esses são alguns exemplos mais conhecidos, mas que nem todos os produtos das marcas são 100% orgânicos. É preciso ter sempre atenção com os rótulos e conhecer as substâncias que você está aplicando na sua pele.
Denise Steiner comenta que existem cosméticos eficazes naquilo em que propõem, como hidratar, clarear, proteger e neutralizar a oxidação, mas “quanto ao prejuízo ao meio ambiente, é uma questão complexa. Mas marcas conhecidas, como Natura, L’occitane e L’oreal, possuem entidades especiais relacionadas às matérias primas utilizadas.”

Ela acrescenta que o melhor é sempre consultar seu dermatologista, pois existem produtos de qualidade para atender as variadas necessidades de cada pessoa.

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